quarta-feira, 30 de junho de 2010

Holanda fecha treino e ensaia cobranças de pênalti antes de pegar o Brasil

EFE/Koen Van Weel 
  Jogadores da seleção da Holanda acenam para fotógrafos durante treino fechado

O técnico da Holanda, Bert van Marwijk, não permitiu o acesso de jornalistas ao campo no treino desta quarta-feira. Mas, durante a atividade “secreta”, o treinador não conseguiu esconder que a seleção ensaiou cobranças de pênalti visando um possível empate no tempo normal nas quartas de final contra o Brasil.
Os fotógrafos acompanharam o treino de um prédio do lado da Universidade de Witwatersrand, em Johanesburgo. Quando os jogadores perceberam que estavam sendo observados, acenaram para as câmeras.
Depois, todos eles, um a um testaram o goleiro Maarten Stekelenburg em cobranças de pênaltis. Na última vez em que se enfrentaram em Copas, nas semifinais de 1998, Brasil e Holanda decidiram a vaga nos pênaltis após empate por 1 a 1, e o Brasil levou a melhor.
Em quatro jogos disputados na Copa do Mundo, a Holanda só levou gols em cobranças de pênalti. Foram apenas dois, contra Camarões e Eslováquia. Caso a partida contra o Brasil não se defina nos 120 minutos de bola rolando, o drama de 1998 vai se repetir.
O único que não bateu pênaltis no treino desta quarta foi o meia Rafael van der Vaart, que correu separado do grupo. O jogador do Real Madrid não atuou na última partida contra a Eslováquia, pois sentiu uma lesão na panturrilha. O atacante Ryan Babel também fez atividades isoladas.
Brasil e Holanda se enfrentam pela quarta vez em Copas na próxima sexta-feira, às 11 horas (de Brasília), valendo uma vaga nas semifinais contra o vencedor da partida entre Uruguai e Gana.

Decisivo, Villa é aclamado como melhor atacante da Copa pela mídia espanhola

David Villa, herói espanhol das oitavas de final, está sendo aclamado como o melhor do Mundial pela imprensa de seu país. Animada com a ida às quartas, que não acontecia desde 2002, a mídia local não poupa elogios ao jogador do Barcelona.
“O Mundial de Villa”, estampa o Marca, que ignora os rivais e crava o espanhol como o melhor atacante da Copa. Segundo o jornal, os espanhóis devem aproveitar o potencial do jogador.
Até agora, Villa marcou quatro dos cinco gols da Fúria na Copa do Mundo. O atacante fez dois contra Honduras, um contra o Chile ainda foi à rede diante de Portugal, nas oitavas, garantindo o 1 a 0.
Villa é o terceiro que mais finaliza na Copa do Mundo, com 4,8 chutes a gol por jogo, segundo o Datafolha. Com isso, está ao lado de Higuaín, da Argentina, e Vittek, da Eslováquia, na artilharia.
O clima também é de confiança no AS, outro grande jornal espanhol. “Espanha, segunda na casa de apostas”, referindo-se a cotação atual para o título da Copa, que tem o Brasil como primeiro colocado.
  • Reprodução da capa do jornal Marca, exaltando o
 atacante David Villa, artilheiro da Copa com 4 gols Reprodução da capa do jornal Marca, exaltando o atacante David Villa, artilheiro da Copa com 4 gols

terça-feira, 29 de junho de 2010

Blatter pede desculpas por erros e diz que Fifa irá reabrir debate sobre o uso da tecnologia

MUNDIAL: DOMINGO CONFUSO NO APITO
  • Bola ultrapassou linha do gol em chute de Lampard
  • Mexicanos pediram impedimento em gol de Teve
O presidente da Fifa Joseph Blatter pediu desculpas à Inglaterra e México pelos erros de arbitragem em seus jogos pelas oitavas de final da Copa do Mundo da África do Sul e disse que a Fifa, irá reabrir o debate sobre o uso da tecnologia no futebol.
“Naturalmente lamentamos quando vemos a evidência de erros de arbitragem. Estou angustiado pelos erros evidentes dos árbitros. Manifestei o meu pedido de desculpas”, lamentou Blatter sobre as eliminações de Inglaterra e México. O mandatário da Fifa informou ainda que irá “reabrir o processo” sobre a tecnologia de vídeo em uma reunião de seu painel de elaboração de regras no País de Gales, que ocorre nos próximos dias 21 e 22 de julho.
Ele disse ainda que seria “um absurdo” não considerar as mudanças. “É óbvio que após as experiências até agora na Copa do Mundo seria um absurdo não reabrir o arquivo sobre a tecnologia na linha de gol”, falou Blatter.
Na partida entre Inglaterra e Alemanha, o trio de arbitragem não assinalou um gol claro dos ingleses em que a bola ultrapassou a linha. Já no duelo entre México e Argentina, os sul-americanos tiveram um gol em posição de impedimento validado.
O presidente, porém, segue mostrando ceticismo em relação ao uso do vídeo. "Há vezes em que a câmera não pode ver o que ocorreu na linha do gol, e no caso do gol (de Tevez) contra o México, para analisar essa jogada não era preciso tecnologia", ressaltou. Blatter é contra a interrupção do jogo para analisar uma jogada, "porque assim poderemos impedir uma nova jogada de gol, já que o futebol é um jogo que não pára".
A Fifa irá também atualizar seu programa de treinamento para a arbitragem. Blatter disse que o órgão máximo do futebol estabeleceu o prazo de outubro ou novembro para criar um novo conceito para melhorar o controle das partidas pelos juízes e assistentes “em competições de alto nível”. Ele falou que o dossiê está “em cima da mesa presidencial”.
Blatter alerta governo francês
O suíço Blatter disse ainda que a Fifa não irá tolerar qualquer interferência política na França após as inúmeras discussões que se seguiram à eliminação dos Bleus ainda na primeira fase do Mundial.
O presidente da Federação Francesa de Futebol Jean-Pierre Escalettes anunciou sua renúncia do cargo nesta segunda-feira, poucos dias depois de a ministra dos esportes, Roselyne Bachelot, dizer que sua saída era inevitável. O dirigente Blatter reafirmou os princípios da FIFA de não tolerar interferência política na gestão do futebol em cada país, um aspecto que tem sido inflexível nos últimos anos e levou, no passado, suspensões temporárias de várias federações.
“O futebol francês pode invocar a Fifa no caso de interferência política, mesmo se for a nível presidencial, é uma mensagem clara. Vamos ajudar a associação nacional e se não puder ser resolvido, a única coisa que podemos fazer é suspender a federação”, declarou Blatter sem meias palavras. "A França fez de sua seleção um assunto de Estado", completou.
O presidente da França Nicolas Sarkozy prometeu liderar pessoalmente uma investigação sobre a fraca atuação da seleção nacional na Copa do Mundo da África do Sul. Segundo as regras da Fifa, as federações devem gerir seus negócios de forma independente, ou podem sofrer suspensão dos jogos internacionais.

Alemão Friedrich vê Argentina como favorita para duelo nas quartas

O zagueiro da seleção alemã Arne Friedrich disse nesta terça-feira que seu time nacional é mais forte que o de 2006, mas a Argentina, rival da equipe nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul, é favorita para este novo duelo.
“Creio que temos um grande potencial e somos mais fortes que em 2006”, explicou Friedrich em entrevista ao site oficial da Federação Alemã. “Por outro lado, a Argentina é favorita, porque se compararmos os dois elencos, eles tem jogadores de muita classe, como Lionel Messi e Carlos Tevez”, completou o defensor.
Mais depois de o time alemão - que eliminou o argentino exatamente nas quartas do Mundial de 2006 - ter eliminado a Inglaterra nas oitavas de final com uma vitória de 4 a 1, Arne Friedrich fez questão de mostrar confiança em sua equipe.
“Somos capazes de, como equipe, encontrar soluções para frearmos esses jogadores. Somos um time muito unido e mostramos até agora que podemos parar todos os nossos adversários em campo”, finalizou o jogador do alemão Hertha Berlim.
As seleções de Argentina e Alemanha se enfrentam pelas quartas de final do Mundial sul-africana neste sábado, às 11 horas (de Brasília), em Port Elizabeth.

Sem gols, Kaká quer ser maior assistente da Copa e já lidera ranking

Richard Heathcote/Getty Images
O meio-campo Kaká é o maior 'garçom' da seleção brasileira na Copa do Mundo
Se por um lado os gols ainda não saíram, Kaká direciona a missão de escrever seu nome na história da Copa de 2010 como um líder da seleção brasileira através das assistências. Perto do fechamento das oitavas de final, o meia aparece no topo da relação, graças ao passe para Luís Fabiano na vitória sobre o Chile por 3 a 0 na última segunda-feira.
Até o momento, Kaká soma três assistências no Mundial, mesmo número do alemão Thomas Müller. Três jogadores aparecem a seguir com dois passes para gols: Mesut Özil (Alemanha), Ki Sung Yueng (Coreia do Sul) e Arthur Boka (Costa do Marfim).
"Meu papel é dar assistência para abastecer o ataque. Assim o Robinho e o Luís Fabiano estão marcando os gols. Fico feliz por estar conseguindo isso", comentou Kaká após a partida contra o Chile nas oitavas de final, em Johanesburgo.
"Vou buscar a liderança [no ranking de assistência] e torcer para que o Luís seja o artilheiro", concluiu o camisa 10 da seleção na Copa.
Além da liderança no ranking das assistências, Kaká ainda aparece bem cotado em outra estatística do Mundial, mas esta não muito agradável. O brasileiro já recebeu três cartões amarelos e um vermelho e, por isso, perdeu um dos quatro jogos já disputados pelo Brasil no Mundial.
Kaká deixou a partida do Chile com um cartão amarelo, em fato que faz o meia ir para o confronto com a Holanda nas quartas de final 'pendurado', com o risco de ficar fora da semifinal, em caso de reincidência e, obviamente, em eventual classificação brasileira.
"Vou tentar ser mais cuidadoso porque ninguém quer ficar fora de uma semifinal de Copa", afirmou o camisa 10 do Brasil logo após a vitória sobre os chilenos no estádio Ellis Park, em Johanesburgo.
Com Kaká, o Brasil enfrenta a Holanda pelas quartas de final da Copa na próxima sexta-feira, em Port Elizabeth. O vencedor deste duelo encara na semifinal o ganhador do confronto entre Uruguai e Gana.

NÚMEROS DE KAKÁ NA COPA DA ÁFRICA DO SUL

Jogos - 3
Assistências - 3
Faltas cometidas - 5
Faltas sofridas - 8
Cartões amarelos - 1
Cartões vermelhos - 1
Chutes - 6
Passes - 96
Passes certos - 84
Aproveitamento de passes - 88,4%
Dribles - 6
Bolas perdidas - 22
Cruzamentos - 6

Entenda por que a Holanda deverá ser uma "pedreira" para o Brasil

AFP PHOTO / THOMAS COEX
 Kuyt carrega Sneijder após classificação às quartas: de novo, Holanda pega o Brasil

Depois de quatro jogos, chegou a hora de a seleção brasileira definir seu futuro na Copa do Mundo contra um adversário à sua altura. Na próxima sexta-feira, às 11 horas (de Brasília), dois favoritos ao título decidem quem avança para as semifinais. Brasil e Holanda vão se enfrentar pela décima vez na história. Apesar da vantagem no histórico de confrontos com três vitórias, duas derrotas e quatro empates, o time de Dunga deve se preparar para enfrentar a maior pedreira desta campanha até agora. Seis motivos enumerados a seguir mostram por quê.

NÃO PERDE HÁ 23 JOGOS

Contra o Brasil, a Holanda vai defender a maior invencibilidade do futebol mundial na atualidade. Com 100% de aproveitamento no Mundial da África do Sul, o time do técnico Bert van Marwijk não foi derrotado nos últimos 23 jogos que disputou. E o último revés foi inesperado: jogando em casa, os holandeses perderam por 2 a 1 em amistoso contra a Austrália, em setembro de 2008. Desde então, são 18 vitórias e cinco empates. Está incluída aí a impressionante campanha nas eliminatórias. No grupo que tinha Noruega e Escócia, a Laranja Mecânica liderou absoluta, com oito vitórias em oito partidas. É a maior série invicta da história da seleção.

DUAS ESTRELAS EM ALTA

A final do maior torneio de clubes do mundo teve dois jogadores holandeses em evidência. A Internazionale, de Wesley Sneijder (f), acabou levando a melhor sobre o Bayern de Munique, de Arjen Robben. Mas ambos foram decisivos para a trajetória de seus times. Sneijder foi líder em assistências na competição e deu passe para um dos gols na decisão. Robben pode ter sido vice, mas não vai esquecer tão cedo o golaço que selou a classificação heroica nas quartas de final contra o Manchester, em pleno Old Trafford. E a boa fase não acabou na Copa. Mesmo voltando de lesão, Robben foi decisivo contra Camarões e marcou contra a Eslováquia nas oitavas. Sneijder já marcou três gols em quatro jogos. Isso sem falar em Van Persie...

 

TÉCNICO É OBCECADO POR EFICIÊNCIA

Dunga resiste a todos os clamores por futebol bonito e insiste no pragmatismo, priorizando os resultados. Na Holanda, é a mesma coisa. O técnico Van Marwijk deixou de lado a fama de jogo criativo e ofensivo que remetia ao carrossel holandês dos anos 70. Para ele, o que importa é vencer. Por isso, prega a paciência como virtude fundamental do seu grupo. Sem partir com tudo para cima, a Holanda de 2010 cumpre à risca os fundamentos técnicos e espera a hora certa de atacar. Segundo dados do Datafolha, é a equipe que menos desperdiça bolas. O que se deve, em parte, a um dado curioso. Com média de 20,5 recuos por jogo, a seleção holandesa é a que mais atrasa bolas para o goleiro. Tudo para não perder a posse de bola e manter o controle da partida.

NUNCA FOI UM ADVERSÁRIO FÁCIL

É verdade que Dunga venceu a Holanda duas vezes em partidas mata-mata de Copas. Mas quem se lembra desses encontros sabe que não foi nada fácil. Em 1994, Romário e Bebeto fizeram 2 a 0, mas o Brasil sofreu dois gols fulminantes que fizeram o jogo ficar nervoso. Foi só aos 36 minutos do segundo tempo que Branco acertou uma bomba para definir a passagem às semifinais. Quatro anos depois, o confronto valia vaga na decisão, e foi ainda mais tenso. Depois de 1 a 1 no tempo normal, Taffarel (f) brilhou e assegurou a vitória nos pênaltis. No outro jogo de Copa, Johan Cruyff comandou um passeio por 2 a 0 em 1974, na última vitória dos holandeses sobre a seleção brasileira.

ELES SABEM SE DEFENDER

A seleção comandada por Dunga tem dificuldade com adversários que se fecham na retranca. Não chega a ser o caso da Holanda, que tem um time equilibrado e sabe atacar muito bem. Mas o trunfo da equipe está na defesa, que sofreu apenas dois gols durante toda a campanha das eliminatórias. Na Copa da África do Sul, o goleiro Maarten Stekelenburg só foi vazado em cobranças de pênalti. E ainda lamentou muito por isso. Mesmo assim, ele e o próprio treinador têm feito questão de creditar a boa fase à solidez defensiva. O que não se deve apenas aos zagueiros Mathijsen e Heitinga. O experiente Mark Van Bommel, aos 33 anos, também é o responsável por fechar os espaços dos adversários no meio-campo.

HOLANDESES NÃO AGUENTAM MAIS PERDER

"O título de campeão mundial de amistosos não nos interessa”, disse o meia Sneijder antes da Copa. "Sabemos bem como é ser eliminado e não queremos passar por isso de novo", afirmou o lateral Van Bronckhorst (f). As duas declarações resumem o sentimento da Holanda em relação a esta Copa. São obrigados a vencer para apagar a imagem de time que sempre dá show, mas nunca levanta a taça. E, diante de um rival que eliminou os holandeses em duas Copas seguidas, eles deverão dificultar ainda mais. Afinal, estará em campo não só a honra de uma tradicional camisa. O próprio Van Bronckhorst já avisou que esta é a sua última competição como profissional, e, assim como ele, a base do time está tendo a última chance de brilhar em um Mundial.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Pontaria no ataque é a arma do Japão para superar a eficiência paraguaia

Montagem AFP
Japão ataca menos que o Paraguai, mas aproveita melhor as suas chances

O zagueiro nipo-brasileiro Tulio Tanaka soube definir bem o adversário do Japão nas oitavas de final: “O Paraguai sabe como jogar no mata-mata”. Por sua vez, o técnico Gerardo Martino também mostrou conhecimento sobre o rival: “Quando eles acham espaço, criam perigo no ataque”. As duas declarações condizem com as estatísticas das duas equipes durante a primeira fase.

Em dois empates e uma vitória, o Paraguai apresentou um futebol de resultado, baseado na solidez defensiva. Segundo dados do Datafolha, a equipe de Martino é a que mais desarma na Copa do Mundo, com uma média de 155,3 por partida. Em consequência, é a segunda que menos sofre finalizações. No ataque, os paraguaios entre os que mais acertam cruzamentos.
Os sul-americanos podem levar vantagem no número de finalizações, mas o Japão aposta no alto aproveitamento de suas ações ofensivas. O time tem a melhor pontaria da competição, com 54% de chutes certos. Os asiáticos passam melhor e perdem menos bolas que os paraguaios, e ainda contam com o trunfo das bolas paradas, já que o Paraguai é mais faltoso e tende a dar oportunidades para jogadores como Endo e Honda tentarem acertar o gol.
O equilíbrio nas estatísticas também se reflete no histórico das duas equipes em Copas, pois quem passar para as quartas alcançará um feito inédito. O duelo está marcado para terça-feira, às 11 horas (de Brasília), e define o próximo adversário de Espanha ou Portugal.